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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Waltz with Bashir



Valsa com Bashir não tinha melhor hora pra surgir no circuito. No filme, um ex-soldado israelense tenta resgatar a memória de sua participação na invasão do Líbano por Israel, no começo dos anos 80. Ele esqueceu toda a guerra, mas uma passagem o deixa mais intrigado do que outras. Onde estava quando, depois da morte de seu líder (o Bashir do título), os cristãos libaneses massacraram os palestinos? O homem precisa resolver essa questão com a própria consciência.


O filme assume apenas uma participação passiva de Israel nesse massacre. Um observador que não tinha muito o que fazer para evitá-lo. Mas o Estado tem outros massacres em seu currículo (que continua a crescer inclusive nesse minuto). E como o homem do filme, Israel parece ter relegado essas lembranças a um lugar ermo de seu cérebro. Há então uma espécie de inconsciente de Estado. Resta saber se algum dia ela emergirá para atormentá-lo.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

In media res, o nome


Quando se inicia uma história? Parece fácil responder. Mas toda história é continuidade de uma história prévia. O que nos faz pensar que todos os acontecimentos do mundo, mesmo os mais insignificantes como a nossa vidinha, estão ligados por um (às vezes nem tão) invisível liame. Contar uma história é feito de escolhas. Escolhe-se um tempo, um lugar, uma forma entre tantos milhares.

Aí entram os recursos narrativos, que fazem uma história mais ou menos interessante. Por exemplo, a grande idéia do Tarantino ao contar de forma não linear o seu filme Pulp fiction. Ele se utiliza na verdade de um recurso narrativo que já estava presente nos gregos, Homero, sendo mais exata: o tal do IN MEDIA RES. “No meio dos acontecimentos”, numa tradução consagrada. Começa-se a narrar a ação depois que esta já foi iniciada, guardando na manga o recurso do flashback, depois de já ter instigado o leitor/espectador a conhecer o resto da história.

O uso mais conhecido da técnica foi em Os lusíadas, de Camões, considerada a primeira epopéia moderna, lá do século XVI. A história das navegações de Vasco da Gama começa a ser narrada quando este já está em alto mar: “Já no largo Oceano navegavam,/ as inquietas ondas apartando;”. E somente depois, ele narra os acontecimentos que antecederam a partida.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Vicky Cristina Barcelona



Adoro Woddy Allen. Dos antigos Manhattan e Annie Hall, que quase sei de cor; dos menos lembrados Desconstruindo Harry e Poderosa Afrodite; dos mais recentes Macht point e O sonho de Cassandra, que é, aliás, estranhamente sombrio em se tratando de Woddy Allen. Adoro todos! E já estou esperando ansiosíssima por este Vicky Cristina Barcelona, o primeiro dele filmado na Espanha e com esse trio e s p e t a c u l a r! O cartaz já dá uma palhinha do clima do filme. No Brasil, só em setembro.

***


Vicky Cristina Barcelona foi exebido em Cannes esse ano, onde o cinema brasileiro teve uma participação grande, com dois filmes na mostra competitiva, levando o prêmio de melhor atriz. Aliás, o cinema brasileiro cresce em prestígio no exterior quase na mesma proporção em que perde público no Brasil. De 2003 pra cá produziu quase 50 filmes a mais e teve mais de 10 milhões de espectadores a menos (no globo online). É a velha questão da distribuição e do acesso aos filmes nacionais que consomem uma verba pública enorme e não chegam ao público. Absurdo dos absurdos.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Considerações sobre o Cine Brasilis



Muito se discute a respeito do uso da verba pública pelo cinema brasileiro. Eu mesma sou questionadora da forma como se dá o incentivo. Há muito o que melhorar no desenvolvimento do cinema nacional para que ele possa andar com suas próprias pernas e, até que isso aconteça, acho sim que a produção deve ser incentivada. O Brasil só tem hoje um cinema com uma certa projeção internacional por conta desse incentivo. O Peru, por exemplo, festeja o incentivo de U$ 500 mil a 4 produções em 2008, recorde para o país. Enquanto no Brasil investiu-se mais de 130 milhões em mais de 80 produções no mesmo período. Nesse mesmo caminho seguem Argentina e México, na América Latina. Mas essa não é a única via pela qual o Estado deve intervir. Sem que o filme chegue ao público brasileiro, qual a relevância em filmá-lo?

Por isso, muito me alegra ver que a Ancine se mostra também preocupada e, com a intenção de não permanecer mantenedora eterna do circuito, planeje lançar nos próximos meses um Fundo Setorial do Audiovisual, que objetiva apoio além da produção, à distribuição, exibição e infra-estrutura das empresas (fonte – Globo online aqui).

Outro ponto também relevante pra questão: dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 421 têm cinemas. E mesmo que a diminuição das vendas de ingresso seja um fenômeno mundial (o porquê é discussão pra outro post), o Brasil, com 0,5 ingressos vendidos per capita em 2007, está bem atrás de México (1,5 ingressos) e Argentina (0,9 ingressos), seus companheiros na produção da latinoamérica, e far far away dos Estados Unidos, com 4,8, fora a pipoca (dados da pesquisa da Filme B).