Nós que aqui estamos por vós esperamos
(Confissões de Ralfo - Uma autobiografia imaginária - Ségio Sant'anna)

grande idéia do Tarantino ao contar de forma não linear o seu filme Pulp fiction. Ele se utiliza na verdade de um recurso narrativo que já estava presente nos gregos, Homero, sendo mais exata: o tal do IN MEDIA RES. “No meio dos acontecimentos”, numa tradução consagrada. Começa-se a narrar a ação depois que esta já foi iniciada, guardando na manga o recurso do flashback, depois de já ter instigado o leitor/espectador a conhecer o resto da história.Serve o revés
Troco cartas. Espero que alguma mude o jogo.
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Azar.
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Dou um leve sorriso de vencedor
e dobro as apostas.
É primavera, os pássaros retornam enchendo o céu de novas cores. Trazem histórias de longas viagens, repetidas todos os anos por tantas gerações. É um ciclo que não muda para os pássaros. Eu os observo displicente. Talvez seja mentira, talvez não atravessem oceanos. Mas prefiro acreditar que sim. Torna a natureza um pouco mais interessante. A potencialidade de drama contida na busca pela vida, que faz os pássaros se lançarem numa arriscada viagem.
Quem sabe atravessar um oceano me alimentando de pequenos peixes também não salve a minha existência?
Vou me eximir de desculpas pela ausência demorada. Tempo é mercadoria perecível. O meu foi proveitoso em certa medida. Muito estudo e algum ócio. O fato é que aqui estou.
Na caixinha de som: Morena dos olhos d'água, em nostalgia do tempo em que só ouvia Chico. E essa é a que a minha irmã canta ainda hoje pra mim. Aliás, ela deve dar luz hoje, mais tardar amanhã cedo, ao meu novo sobrinho. E mais uma vida se inaugura!
Leitura em andamento: Heranças, de Silviano Santiago, entre outras (alguém lê uma coisa só ao mesmo tempo?). O narrador é um velho, que conta a sua história enquanto espera a morte. O autor me parece querer superar a própria tese, O narrador pós moderno, situando a perspectiva da história nos olhos de um indivíduo que narra sabedoria extraída da própria vivência. Claro que é ainda um pensamento que exige aprimoramento. O livro é deveras interessante.
No cinema: Filme brasileiro, sempre. Os últimos: Nome próprio, com Leandra Leal e seu merecidérrimo Kikito; Minha vida não cabe num Opala, de onde se extraí certa interessância. Adianto uma frase impagável, dita pelo personagem do Peréio: Deus é grande, mas tá mole. Vou ver se volto a falar dos filmes com mais detalhes.
Na internet: Ando tentando explorar a utilidade (?) do twitter. Quem quiser, siga-me.
E isso vem de uma pessoa (euzinha mesmo) que sempre teve certo pendor para o exagero. O que mais a idade nos faz?
Falando em exagero, Amy Winehouse está com enfisema, resultado do consumo excessivo de crack, cocaína e cigarro. Aos 24 anos. Um talento como o dela, aquela voz que não faria a menor vergonha cantando junto com Aretha Franklin (A voz), compositora e letrista fantástica, talentosíssima. Há uma certa conexão entre arte e exagero, acho eu. Não é o primeiro exemplo de grande talento que se destrói com o desequilíbrio na busca do prazer.
Aliás, equilíbrio é mesmo difícil. E eu não sou, definitivamente, nenhuma sumidade no assunto (e alguém é?), mas acho que ele passa pela percepção de que somos seres permanentemente insatisfeitos. Só a consciência da insatisfação nos permite aproveitar ao máximo os prazeres, sempre efêmeros, da vida.